quarta-feira, 22 de junho de 2016

CATEQUESE E LITURGIA - II




RELAÇÃO ENTRE CATEQUESE E LTURGIA

CATEQUESE E LITURGIA: Duas faces do mesmo mistério

JESUS ENSINA E JESUS CELEBRA: Assim como Seu ensinamento, foram muitas as celebrações de Cristo: o perdão da adultera, na casa de Mateus, com Zaqueu...até a celebração máxima na Última Ceia.

INTRODUÇÃO
  A PARTIR DA LITURGIA UM VERDADEIRO “ECO” DO MISTÉRIO
Antigamente, na nossa língua português, se escrevia “catequese” com “ch”: “Catechese. Os franceses e italianos (ainda hoje) escrevem a palavra “catequese” com “ch”: “cathéchésè” (em francês), “catechesi” (em italiano). Por que será?

A palavra “catequese” é uma palavra de origem grega: Katá (a partir de) + echos(voz, fala, eco), resultando: kat’echesis. Por isso, que antigamente, na língua portuguesa, a palavra “catequese” era escrita com “ch”...Mas qual o alcance teológico desta incursão etimológica?

Todos sabemos o que é um “eco” e o que significa “ecoar”...Pois é! Dentro da palavra “catequese” se esconde a palavra “eco” (do grego: “echos”). Ou melhor, nela se esconde o “ecoar de algo”. E este “algo”, na nossa tradição cristã, é a palavra divina que, vinda do alto, “ecoou” no nosso mundo pela “ressonância” amorosa de Sua encarnação e vida solidária com os pobres. É o mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo (com o dom do Espírito Santo) que “ecoou” no mundo pela ressonância esplêndida de Sua presença viva no meio dos seus. Mistério Pascal que continua “ecoando...ecoando...ecoando”, sobretudo a partir das celebrações litúrgicas, quando a Palavra é proclamada e explicada, quando celebramos a Eucaristia, os demais Sacramentos, o Ofício Divino, etc. 

Em outras palavras, o “estrondo” da Páscoa “ecoou” pelo mundo afora (e continua “ecoando”!) sobretudo a partir da Liturgia vivida e celebrada. E os (as) catequistas, já desde tradição cristã mais antiga, são cristãos e cristãs que fazem “ecoar aos ouvidos e ao coração dos ouvintes iniciantes (catequizandos) e iniciados o mistério pascal vivenciado sobretudo na divina Liturgia.

Cristo, (pela energia e o “sopro” do Espírito) foi o primeiro “ecoador” do projeto salvífico do Pai, vindo do alto: o primeiro Cat’equista!

Depois vem os apóstolos que, cheios da energia do Espírito a partir da experiência pascal revivida na assídua escuta da Palavra e na “fração do pão”, fizeram “ecoar” para todos os recantos do mundo de então a grande novidade do Reino de Deus.

Os apóstolos, por sua vez, transmitiram aos seus este importante ministério, a saber, de serem um permanente “eco” da presença viva do Ressuscitado, para que todos pudessem ter o privilégio de participar plenamente da vida nova que a Páscoa inaugurou.

Estes, por sua vez, se fizeram rodear por inúmeros colaboradores diretos neste ministério “catequético”, isto é, de “fazer ecoar” a Boa Nova, a partir da experiência pascal vivida na Liturgia.

O “eco” que hoje ressoa em nossas comunidades é este: Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, senhor Jesus”!Assim- podemos dizer toda a nossa assembleia litúrgica, anunciando a morte salvadora do Senhor, desempenha já um ministério “catequético”.

E os (as) catequistas? A partir da participação nesta assembleia, ou melhor, a partir da experiência da Páscoa comunitariamente celebrada na divina Liturgia, exercem o verdadeiro ministério de “fazer ecoar” na vida dos (as) iniciantes essa mesma experiência de fé. A partir da Liturgia  são um verdadeiro “eco” do mistério.

Ambas se encontram no centro da vida cristã, que é o mistério Pascal de Jesus Cristo; a experiência mais profunda da ação do libertador na história da humanidade. (LITURGIA EM MUTIRÃO, CNBB)

LITURGIA E CATEQUESE:Metodologia (catequese iniciática – com utilização das duas fontes
**Atos 8, 26-40 (Felipe e o etíope)
O DNC destaca que duas fontes regam a catequese: BIBLIA E LITURGIA

SAGRADA ESCRITURA: fonte na qual a catequese busca a sua mensagem fruto da experiência de fé de um povo com Deus.

LITURGIA: fonte na qual a catequese saboreia o mistério, tornando-o celebre, fonte da memória celebrada do mistério pascal de Cristo e expressão da vida da Igreja.

CATEQUESE como educação da fée a LITURGIA como celebração da fésão duas funções da única missão evangelizadora da Igreja.

A catequese, sem a liturgia, esvazia-se da dimensão do mistério e reduz-se a um amontoado de ensinamentos e teorias sobre Deus e a Igreja, mas sem significado profundo para vida.
A liturgia, por outro lado, sem a catequese, é carente do sentido e conteúdo da fé, que se consolida no aprofundamento da mensagem cristã, missão assumida pela catequese

A liturgia é fonte inesgotável da catequese, não só pela riqueza de seu conteúdo, mas pela sua natureza de síntese e cume da vida cristã: enquanto celebração ela é ao mesmo tempo anúncio e vivência dos mistérios salvíficos.Por isso ela é considerada lugar privilegiado de educação da fé e os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência religiosa cristã.

A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, símbolos, em seus diversos significados, requer da catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada. Os sinais litúrgicos são ao mesmo tempo anúncio, lembrança, promessa, pedido e realização, mas só por meio da palavra evangelizadora e catequética esses seus significados tornam-se claros.

É tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no Mistério Pascal.
Aquilo que não é celebrado não pode ser apreendido em sua profundidade e em seu significado para a vida.

A catequese leva em conta essa expressão de fé pelo rito para desenvolver também uma verdadeira educação para a ritualidade e o simbolismo.É importante que a catequese tenha na celebração o ponto alto do encontro, momento em que há interiorização, partilha e crescimento da fé a partir da vida. A catequese litúrgico-celebrativa é carregada de momentos fortes de oração (súplica, gratidão, intercessão e perdão), faz o confronto pessoal e comunitário com a realidade, da fé com a vida e da vida com a fé
É fundamental caminhar em vista da unidade entre catequese e liturgia, faces de uma mesma realidade, ações importantes e que expressam a identidade do ser cristão, porque possibilitam a experiência com a Pessoa de Jesus Cristo

SENTIDO E SIGNIFICADO DA LITURGIA PARA A CATEQUESE
1-O CENTRO DA CATEQUESE É O MISTÉRIO DE CRISTO
2-O LUGAR DE ENCONTRO COM A PESSOA E O MISTÉRIO DE CRISTO É NA PALAVRA DE DEUS

3-A liturgia é fonte da catequese, porque também é nela “que se tomam as leituras que são explicadas na homilia, e os salmos que se cantam, as preces, as orações e hinos litúrgicos são penetrados do seu espírito, e dela recebem seus significado as ações e os sinais”

4-A importância do Ano Litúrgico, com seus tempos e festas, como fonte de catequese.

5-A catequese sistemática, conforme as suas exigências e conforme o costume, se dá fora da liturgia

6-VIGÍLIA PASCAL COMO OBJETIVO DO ITINERÁRIO CATEQUÉTICO
Conforme o DNC 49, a Vigília Pascal, que é centro da liturgia cristã, e a espiritualidade batismal são inspiração para qualquer itinerário catequético
Na Vigília, contemplamos a ressurreição, a glorificação do Filho no Pai pelo Espírito, celebramos a libertação das trevas e da escravidão, somos configurados na luz e na liberdade.

A VIGÍLIA PASCAL É:
A festa da luz, em que saímos da escuridão e vemos a aurora da vida no “novo dia”
A festa batismal, que nos incorpora no Corpo de Cristo, nos faz participantes do mistério pascal, nos faz ressurgir para a vida renovada.
A festa da recordação da vidae das ações divinas em favor da humanidade, bem expressa na liturgia da Palavra

A festa da Eucaristia, ação de graças ao Pai que ressuscitou Jesus e nos fez participantes da vitória sobre a morte.

ALGUNS PROBLEMAS NA INTERAÇÃO ENTRE CATEQUESE E LITURGIA PRECISAMOS SUPERAR
1.   A Catequese entendida como aula, doutrinação, ensino teórico que deve primar pelo rigor e pela memorização de temas e citações;
2.   Uma catequese sacramentalista: voltada tão somente para a recepção dos sacramentos;
3.   Durante muito tempo a catequese ficou restrita às crianças, criando aquela concepção: “catequese é coisa de criança”;
4.   Em diversas épocas, a catequese (Eucaristia e Crisma) não levava à iniciação à fé e à vida eclesial, mas se tornava conclusão da vida cristã, uma espécie de “formatura”;
5.   Uma catequese muito abstrata e teórica sem símbolos e sem uma dimensão orante e celebrativa.

COMPROMISSO:
Mudar a realidade de forma progressiva e sistemática
RELAÇÃO FÉ E VIDA
1.   Consolidar a ligação entre Fé e Vida, tanto na catequese quanto nas celebrações litúrgicas;
2.   Romper com a concepção reducionista de catequese para os sacramentos;
3.   Rever a metodologia usada na catequese, para que os encontros sejam sempre celebrativos, orantes, simbólicos;
4.   Re-pensar as estruturas físicas onde acontece a catequese, para que se tornem espaços propícios para celebrações;








NA MESA DA PALAVRA
·         Pretende-se que a Leitura da Bíblia, na catequese, não seja mero estudo de um livro, mas seja acolhida da Palavra de Deus que nos fala por este Livro Santo da nossa fé.
·         O fato ir até essa mesa, postar-se de pé, trocar a toalha de acordo com o tempo litúrgico, por exemplo, revela a necessidade celebrar a Palavra.
·         É importante solenizar sua leitura, celebrar sua mensagem.
·         Gestos, posturas e lugares determinam o que pensamos e como valorizamos cada momento da vida.




NA MESA DA CATEQUESE

  Resgata-se o antigo simbolismo de sentar ao redor da mesa para tomar a refeição.
   Neste caso, crianças, jovens e seus catequistas, sentam ao redor da mesa para saborear a Palavra que dá vida, sacia toda sede e devolve a alegria ao coração humano.
  Usando a mesa pretende-se sair do esquema de escola, da utilização de cadernos e canetas, e de tudo que lembre uma lição escolar.
   Ao redor da mesa se fala, se contemplam os símbolos, se dialoga e se realizam algumas atividades.








5.   Buscar um novo itinerário para a Iniciação Cristã, introduzindo o catequizando na vida da comunidade recuperando a riqueza do catecumenato, que fica como horizonte para a catequese;
6.   Celebrar em comunidade os momentos fortes e as datas especiais do calendário litúrgico, envolvendo a comunidade, os catequizandos e os pais;
7.    Superar definitivamente o modelo tradicional de catequese como doutrinação

Mas, fica aqui um alerta: NÃO SE FAZ CELEBRAÇÃO DE ENTREGA E RITOS SÓ POR FAZER, porque é “bonito”, porque todo mundo está fazendo... As celebrações e ritos marcam “etapas” na catequese e precisam, por isso, ser precedidos dela ou sucedidos por ela.  Ritos, celebrações e símbolos só farão sentido se a comunidade e os catequizandos souberem “o que está acontecendo”. E, temos visto e sentido, que isso nem sempre acontece.


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