sábado, 18 de abril de 2015

TEMPO PASCAL




VEM SENHOR RESSUSCITADO E NOS CONVERTA... 

Estamos no Tempo Pascal e com esse tempo refletimos sobre o evento da Ressurreição de Jesus e sua relação com a comunidade nascente que, impulsionado pelo Espírito Santo inicia o anúncio do Ressuscitado levando o povo à conversão com prodígios e milagres. Agora são os Apóstolos os realizadores dos prodígios com uma grande diferença: Jesus realizava em seu nome e os Apóstolos realizam em nome do Senhor Jesus.

Uma palavra em grego que define bem as realizações dos Apóstolos é “PARESIA”, esta significa: OUSADIA, AUDÁCIA, DESTEMOR, FORÇA, PODER, enfim os Apóstolos não tinham mais medo dos chefes do Judaísmo e das autoridades Romanas. Pregavam com autoridade e faziam milagres que comprovavam suas pregações e o nome de Jesus ia transformando os corações e os que acreditavam no Senhor só cresciam. Pedro cheio do Espírito Santo diz com audácia: “eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes”, e os chama a conversão. É a Igreja nascente com a força do Espírito Santo. Puxa!

O que será que precisamos em nossas comunidades, hoje? Será que essa força – PARESIA – era somente para os primeiros cristãos? Será que não precisamos também clamar a Deus que envie este fogo em nossa Igreja hoje? É isso que o Papa Francisco está nos falando quase todos os dias: Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para alcançá-los, está condenada a traduzir-se em mera fantasia. A todos exorto a aplicarem, com generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios”. (EG 33). “A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva”. (EG 24). Como vemos o Papa chama a Igreja a uma mudança e a um “sair” para fazer uma evangelização eficaz que possa mudar a sociedade. E devemos ter a certeza que a sociedade somente irá transformar e teremos um lugar melhor para viver à medida que as pessoas se encontrarem com o Senhor da Glória.

Olha a Palavra: “Quem diz: 'Eu conheço a Deus', mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele”. Então não adianta saber que Jesus é Deus e salvador, não adianta conhecer a história da vida de Jesus, isso o Demônio também conhece. Precisamos de um encontro pessoal com Jesus, um encontro que possa mudar nossa vida por inteira. Algo que abale nossas estruturas e que jamais seremos as mesmas pessoas. Jesus deu sua vida na cruz para que tenhamos essa vida nova, não vamos desperdiçar as abundantes graças que Cristo nos conquistou, pois “Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado”.

Como vemos no Evangelho tudo o que Jesus fez e ensinou não ficou claro aos Apóstolos e discípulos, tinham dificuldades de entenderem, pois na verdade a mudança de conceitos e pensamentos era muito radical. Tudo o que haviam aprendido no Judaísmo agora cai por terra. Esse vinho novo que Jesus traz é muito revolucionário e completamente adverso do que esperavam. Jesus se encontra com os discípulos que estavam indos para Emaús e explica para eles a Escritura – “Já não estava tudo escrito...?”. E agora com os Apóstolos e Discípulos Jesus diz: Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”. E nós? Será que procuramos entender os sinais de Deus para o nosso tempo? Será que sabemos interpretar as escrituras dentro dos problemas que nos cercam hoje? Será que não somos muito simplistas e indiferentes ao ponto da Igreja nos falar tanto e não darmos conta que é a Palavra de Jesus para nós hoje. Quando o Papa escreve uma Carta Apostólica, que é uma norma da Igreja e que tem que ser seguida, procuramos ler, conhecer e aplicar em nossa vida e comunidade?

Não basta Cristo Ressuscitar dos mortos é necessário que Ele ressuscite em nosso coração, em nossa vida, em nossas atitudes... Que Ele possa fazer de nós um anunciador do Reino: “No seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Que essa profecia aconteça em nosso meio, que anunciemos com destemor, com ousadia, com vigor sem medo, podem nos levar ao sacrifício o que irá nos importar é levar o amor de Deus ao próximo para que ele conheça o Deus altíssimo, nosso Redentor Jesus e o Espírito Santo Paráclito consolador.

Hoje, ouvi um testemunho de um Padre que foi amigo e companheiro de missão da Irmã Dorothy. Ele disse que um dia ela estava indo a pé por uma estrada de terra a uma comunidade para evangelizar e no caminho foi abordada por dois homens que perguntaram: - A senhora está com arma? Ela disse: - sim. E naquele momento ela tirou a Bíblia da mochila, apresentou sua arma e começou a ler as “Bem Aventuranças” para eles. Neste momento os homens cravaram seis balas em seu corpo. Isso é PARESIA, isso é Espírito Santo em ação, esta é a marca de Cristo ressuscitado.

Vem Senhor Ressuscitado e nos converta...

Antonio Com Deus

3º Domingo da Páscoa ano B - 2015

1ª Leitura - At 3,13-15.17-19
Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos.

Salmo - Sl4,2.4.7.9 (R. 7a)
R. Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

2ª Leitura - 1Jo 2,1-5a
Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e também pelos pecados do mundo inteiro.

Evangelho - Lc 24,35-48
Assim está escrito: o Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia.




sábado, 4 de abril de 2015

FELIZ PÁSCOA


MENSAGEM DE PÁSCOA (5/4/2015)

Não vos assusteis! Procurais Jesus, o Nazareno, aquele que foi crucificado?


 ELE RESSUSCITOU! NÃO ESTÁ AQUI! (Mc 16, 6)


Amados irmãos e irmãs, Boa Páscoa!
RESSOA NA Igreja espalhada por todo o mundo o anúncio dos anjos às mulheres: “Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus , o Crucificado; não está aqui, pois ressuscitou(...). Vinde, vede o lugar onde jazia” (Mt28,5-6)

Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o Crucificado, ressuscitou! Este acontecimento está na base de nossa fé e da nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja via esgotar-se o seu ímpeto, porque dali partiu e sempre parte de novo. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecado, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte. Em Jesus o amor triunfou sobre o ódio, a verdade sobre a mentira, o vida sobre a morte.

Por isso, nós dizemos a todos: “Vinde e vede”. Em cada situação humana marcada pela fragilidade, o pecado e a morte, a Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído...”Vinde e vede”: o Amor é maias forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer esperança no deserto.

Com esta jubilosa certeza no coração, hoje voltamo-nos para Vós, Senhor ressuscitado!

Ajuda-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.
Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravadas pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices,

Torna-nos capazes de proteger os indefesos? Sobretudo as crianças, mulheres e idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono.
Fazei que possamos cuidar dos irmãos que são afetados portas doenças que se difundem, também por negligência e a pobreza extrema

Consolai, quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com seus entes queridos porque foram arrancados injustamente dos seus carinhos, como numerosas pessoas, sacerdotes e leigos que foram sequestrados em diferentes parte do mundo

Consolai aqueles que deixaram as suas terras e migrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não pode, professar livremente a sua fé.

Pedimo-Vos, Jesus glorioso, que façais cessar toda guerra, toda hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente!

Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, para quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo, contra a população desamparada, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.

Pedimo-Vos que conforteis as vitimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinos.

Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na Região Centro Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas partes da Nigéria e as volências no Sudão do Sul.

Pedimos que ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.

Pela Vossa Ressurreição, que este ano celebramos com as Igrejas que  seguem o calendário Juliano, Vos pedimos que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação na Ucrânia, para que todas as partes interessadas, iluminadas pelas Comunidade Internacional, possam empreender todo o esforço para impedir a violência e construir,  num espírito de unidade e diálogo o futuro do País.

Pedimo-Vos, Senhor por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, daí-nos a Vossa Vida, daí-nos a Vossa Paz!

Uma feliz e santa Páscoa a todos!



Papa Francisco     

quarta-feira, 1 de abril de 2015

TRÍDUO PASCAL


Teologia e Espiritualidade do Tríduo Pascal (1/4/2015)

RITOS DE QUINTA FEIRA SANTA
Os ritos de Quinta Feira Santa darão inicio ao Ciclo das celebrações mais importantes no calendário da Igreja. Entre todas as semanas do ano, a mais importante, para os cristãos é a Semana Maior, que foi santificada pelos acontecimentos que a liturgia celebra, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor- o Mistério Pascal.
A peregrina do séc. V, Etéria, começa sua relação da semana santa em Jerusalém escrevendo: “O dia seguinte, domingo, é o começo da semana da Páscoa, ou Semana Maior, como a chamam aqui”
De fato, esta semana é o coração e o centro de toda a liturgia anual, nela se celebra o mistério da redenção, o grande sinal do amor de Deus salvador. “A Páscoa é o cume, assim resume esta festa um escritor dos primeiros séculos”
O cristão entra nesta Semana com o espírito de paz interior e recolhimento. A Quaresma foi um tempo de trabalho, disciplina, conversão, cerimônias penitenciais, agora chegou o tempo de descanso na paixão de Cristo. “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigênito” (Jo3,16). Toda a Paixão é sinal deste amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo.
A devoção da Semana Santa nasceu da piedade dos primeiros cristãos de Jerusalém, onde Jesus sofreu a su Paixão. Por isso, desde os primeiros séculos, Jerusalém, tornou-se lugar de peregrinações para os cristãos que gostavam de visitar os lugares da paixão. Nós participamos nos mistérios de Cristo não apenas com os sentimentos ou imaginação, mas antes de tudo com a fé.

TRIDUO PASCAL
O tríduo pascal começa com a missa vespertina  da Ceia do Senhor, na Quinta feira-Santa, alcança seu apogeu na Vigilia Pascal, e termina com as vésperas do domingo de Páscoa. Todo este espaço de tempo forma uma unidade que inclui os sofrimentos e a glória da ressurreição. O Bispo de Milão, Santo Ambrósio, refere nos seus escritos os “três santos dias” e o Bispo de Hipona, Santo Agostinho, nas suas cartas chama-os de “os três sacratíssimos dias da Crucifixão, sepultura e ressurreição de Cristo”
A Quinta-Feira Santa está marcada pela instituição da Eucaristia, “verdadeiro sacrifício vespertino” (atualmente é celebrada à noite). O ritual proíbe a celebração da Eucaristia sem fiéis e recomenda a concelebração, que confere à cerimônia litúrgica uma nota de eclesialidade eucaristica e de unidade entre eucaristia e sacerdócio. A cerimônia sugestiva e humilde do Lava-Pés orienta-se também para a Eucaristia.
Os textos litúrgicos mostram a entrega de Jesus Cristo para a salvação da humanidade. Jesus celebra a Páscoa judia, mas oferece o Seu Corpo e Sangue em lugar do Cordeiro imolado no Templo, para selar a Nova Aliança. O Lava-Pés é sinal de “amor até o fim” (Jo13m 1). A transladação solene do Santíssimo Sacramento, é um sinal de continuidade entre o sacrifício e a adoração da presença sacramental

A Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor é constituída por uma liturgia austera e sobria. O centro da celebração é uma “sianxis” (assembléia litúrgica) não eucarística que na liturgia antiga se chamava “missa dos presantificados”. Os paramentos são vermelhos e a liturgia desenvolve-se em três momentos:
a liturgia da Palavra, com a leitura do IV cântico do poema do Servo de Deus (Is 52, 13), a Carta aos Hebreus com a passagem do Sumo Sacerdote “causa da salvação para os que lhe obedecem” (Hb 4,14), e a Paixão segundo São João, o teólogo místico que vê na cruz a exaltação de Cristo.
Às leituras segue-se a oração universal;
a adoração da cruz com a antífona de origem bizantina “adoramos Senhor a Vossa cruz...pelo madeiro veio a alegria a todo o mundo”  e os impropérios nos quais Jesus reprova a ingratidão do povo (“Povo meu que te fiz Eu/em que te contristei?...);
a comunhão com o Pão eucarístico consagrado na tarde (noite) de Quinta-Feira Santa.
A piedade popular gosta de participar da procissão do Enterro do Senhor e comove-se com a presença da Senhora da Soledade acompanhando o seu Filho morto.
A Sexta-feira Santa é um dia de intenso luto e dor, mas iluminado pela esperança cristã. A devoção á Paixão do Senhpr está fortemente arraigada na piedade cristã. A peregrina Etéria, ao descrever as cerimônias de Jerusalém, por volta do ano 400, diz: “dificilmente podeis acreditar que toda a gente, idosos e jovens, chorem durante essas três horas, pensando no muito que o Senhor sofreu por nós”.
A Igreja apresenta a grande austeridade, nada distrai o nosso olhar do altar e da cruz, o povo cristão fica vigilante junto à cruz do senhor e da Santa Virgem da Soledade.

SÁBADO SANTO
O grande Sábado Santo, é mais um dia de serena esperança e preparação orante para a ressurreição. Os cristãos dos primeiros séculos jejuavam neste dia como na sexta-feira santa, era o tempo em que o noivo tinha deixado (Mc 2,19)
Durante o dia o Oficio Divino é rezado perante o altar desnudado, presidido pela cruz, e tem um acento de meditação e repouso. A piedade cristã ora perante a imagem da Virgem das Dores, “ela no grande Sábado, recolheu a fé da Igreja...só ela entre os discípulos esperou vigilante a ressurreição do Senhor” (Missa da Virgem Maria).

VIGILIA PASCAL
A Vigília Pascal é uma vasta celebração da Palavra de Deus que continua com o Batismo e com a Eucaristia. Os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual-
o ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus e a marcha de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo;
a liturgia da Palavra com Salmo e oração, percorrendo as etapas da história da salvação;
a liturgia da iniciação cristã que incorpora novos filhos e filhas na Igreja;
a renovação das promessas do Batismo e aspersão com água benta que recorda a água do nosso batismo;
por fim a Eucaristia que proclama a ressurreição do Senhor e a sua última vinda (I Cor 11,26).
A liturgia convoca de novo os fiéis para o “dia que fez o Senhor” na missa do dia. A piedade cristã realiza a procissão de Cristo Ressuscitado, ornamentando as estradas, soltando fogos, tocando sinos e ao som da música entoa “Regina coeli” (Rainha do Céu) à mãe de Jesus. O Aleluia, que fora suprimido na Quaresma, aparece repetidas vezes em sinal de alegria e vitória, de forma que o Aleluia pascal se tornou a aclamação própria do mistério da Páscoa.
A magnífica liturgia pascal põe em relevo uma nota escatológica que indica a meta para onde nos dirigimos seguindo Cristo e que São Paulo apresenta na Carta aos Corintos: “Sempre que comemos deste Pão e bebemos deste cálice, anunciamos a Tua morte, Senhor, até que venhas” (I Cor 11,26)

D. Teodoro de Faria, Bispo emérito de Funchal