terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A ESPIRITUALIDADE DA LÂMPADA



PARA TER ESPIRITO DE GRATIDÃO (28/01/2013)

 
            Queridos (as) catequistas, sempre precisamos renovar-nos para cumprir bem nossa missão pois nós, catequistas temos que ter zelo uns com os outros. Sem comunhão não existe missão, por isso é necessário entrar na simplicidade da união.

CATEQUESE = ZELO+RENÚNCIA

É preciso deixar as redes. Deixar tudo aquilo que lhe segura, lhe prende, lhe impede de cumprir a sua missão. Quais são as redes que lhe impede de receber o melhor que Deus tem para você?

Não espere elogios (recompensa humana), senão perdemos a graça de Deus, pois é a gratidão a Deus que nos impulsiona a evangelizar.

REFLETIR: com que espírito servimos a Deus: com o espírito de gratidão ou com o espírito de anunciar a nós mesmos?

           

            Para fortalecer nossa espiritualidade segue uma sugestão para vocês realizarem na Pastoral Catequética de sua Paróquia:

  A ESPIRITUALIDADE DA LÂMPADA

 

            Mantra: Indo e vindo, trevas e luz/ Tudo é graça/Deus nos conduz

            Antes mesmo que se inventasse a roda, a humanidade inventou a lâmpada. Durante milênios as pessoas utilizaram lamparinas de barro ou metal abastecidas com azeite de oliva, para afugentar a escuridão da noite. E por quê? Porque a vida precisa de luz. Mesmo os animais que habitam as profundezas dos oceanos, aonde não chega a luz solar, produzem a sua própria luminosidade para sobreviver; encontrar alimentos, afugentar predadores, encontrar os irmãos da mesma espécie. A luz encontra-se tão ligada à origem da vida que o autor do primeiro capitulo do Gênesis sabiamente a colocou como a primeira criatura de Deus: “Faça-se a luz!”(Gn 1,3). Todos os seres vivos existem não para as trevas, mas para a luz.

Com a humanidade acontece o mesmo. O domínio da tecnologia do fogo foi decisivo para que o homem descobrisse como moldar a natureza e sobreviver à noite. Antes disso, a noite era a hora da morte, em sobrevinham as feras, os ladrões e assassinos. Por isso, a lâmpada adquiriu também um importante significado simbólico de proteção, segurança, orientação, vida. Logo as lâmpadas dos candelabros passaram a fazer parte dos rituais sagrados das mais diversas religiões.

Para o povo de Israel, a lâmpada possui um significado todo particular: lembra nada menos que a Páscoa, a libertação do Egito, o acontecimento central da fé dos judeus. Quando saíram da terra da escravidão, os israelitas foram, guiados por uma coluna luminosa que era a própria presença do Senhor no meio deles (cf. Ex 13, 21s). Por isso a celebração judaica do Sábado (Shabbat) inicia-se com o acender as luzes da casa. Essa tradição foi incorporada pelos cristãos à cerimônia da Vigília Pascal, em que se abençoa o fogo e se acende o círio, sinal do Cristo Ressuscitado.

Na Bíblia, a palavra hebraica nir significa, ao mesmo tempo, “luz” e “lâmpada”. Esse dado é interessante porque nos faz ver que, para a mentalidade israelita, é realmente importante, sobretudo quando ela falta, ou seja, à noite quando é preciso manter as lâmpadas acesas. A função da luz é afugentar a treva, onde existe morte, medo, desorientações. Viver na luz, em sentido bíblico e místico, é viver na presença de Deus, viver em constante Páscoa, permitindo que o Senhor afugente com seu poder as trevas de nossas escravidões pessoais e sociais. A luz de Deus é sempre luz de lâmpada, luz que transforma, luz feita para eliminar a noite do pecado, da maldade, da morte.

 

“Tua palavra é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho!” (Sl 119,105)

 

            Para viver na liberdade adquirida na Páscoa, Deus presenteou o seu povo com a sua palavra. Escutar a Palavra e colocá-la em prática é o centro da vida religiosa de Israel; “Ouve, os Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno” (Dt 6,4-6)

            A palavra de Deus torna-se para o povo da aliança a nova coluna luminosa que aponta a direção da liberdade: “O mandamento Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz!” (Sl 19,9)

            Para viver na luz, é necessário ouvir a Palavra, meditá-la, praticá-la, transmiti-la. Ela é a lâmpada que permite ao povo de Deus perseverar no caminho da fidelidade à aliança com Javé: “Tua Palavra é uma lâmpada para os meus pés e uma luz para o meu caminho” (Sl 119,105). Do contrário, sem ouvir a Palavra Israel retorna à sua escravidão podendo praticar desumanidades piores do que as que sofria sob o jugo dos egípcios. Entra aí o papel dos profetas, por meio dos quais Deus continuamente convida seu povo a sair das trevas deixando-se guiar pela luz da Palavra: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.Para os que habitavam nas sombras da morte uma luz resplandeceu!”(Is 9,1)

            Para os cristãos essa “grande luz” resplandecente para toda a humanidade é Jesus Cristo, a luz do mundo.


Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12)


Jesus Cristo é a Palavra do Pai: Palavra por meio da qual foi criado o mundo. Palavra que foi dada como lâmpada a Israel. Palavra sempre renovada na boca dos profetas. Nessa Palavra eterna, “estava a vida e a vida era a luz dos homens. Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguirão apagá-la” (Jo 1, 4-5)

Quando chegou o tempo oportuno, essa “Palavra se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1,14), na pessoa do jovem carpinteiro de Nazaré. Seu jeito revolucionariamente amoroso de viver, resgatando a todos os que foram jogados nos porões do mundo (doentes, prostitutas, pecadores, crianças, pobres, ricos, etc.) relativizando as hipocrisias religiosas de sua época, ensinado de modo simples a vontade do Pai, era nada menos que a Palavra eterna de Deus viva no meio dos homens, a luz brilhando intensa e incomodamente no meio das trevas. As trevas tentaram apagá-la na noite da cruz. Mas a vida brilhou para sempre na manhã sem fim da ressurreição!

Cristo é a Lâmpada do Pai, o farol da humanidade, “o Sol nascente que nos veio visitar, lá do alto, como luz resplandecente, para iluminar os que vivem nas trevas e nas sombras da morte” (Lc 1,78). É Ele o astro que aquece e ilumina o povo de Deus como diz o autor do Apocalipse a respeito da Nova Jerusalém: “A Cidade não precisa do sol nem da luz para ficar iluminada, pois a glória de Deus a ilumina e a lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23)

                                    “Você é a luz do mundo!” (Mt 5,14)


            Seguir Jesus é ouvir e viver a Palavra tornada gente no seu modo de viver: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). O discípulo de Jesus, no desejo de assemelhar-se ao Mestre também se torna lâmpada, luz para transformar o mundo: “Você são a luz do mundo. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão na casa. Assim a luz de vocês brilhe diante dos homens para que eles vejam as boas obras que vocês fazem louvem o Pai que está nos céus!” (Mt 5,15-16)

            Viver na luz é belo, mas não é fácil. Também o escuro tem os seus atrativos e seduções. Às escuras é que se fazem as coisas escondidas, longe do julgamento alheio. No escuro, podemos atender os nossos desejos mais imediatos sem sermos incriminados por ninguém. Viver nas trevas é bastante cômodo e instantaneamente prazeroso. É viver como se, pelo menos por um momento, Deus, não existisse. É viver como se não existisse a verdade, a justiça ou a ética. Viver nas trevas é tentar esconder-se de Deus, como o homem e a mulher no paraíso, após terem comido o fruto proibido. (cf. Gn 3,8)

            Mas o homem e a mulher não conseguem se esconder de Deus, porque não conseguem esconder-se de si mesmo. O ser humano nasceu para a luz- sua alma é luz, sua consciência é luz, sua razão é luz que busca a verdade e a clareza nas coisas: “O espírito do ser humano é uma lâmpada de Javé, que sonda as profundezas do ser” (Pr 20,27).

            Nossa vocação mais que viver na luz, é sermos luz. Não uma luz inútil, acesa durante o dia, mas uma lâmpada que – assim como nosso Senhor Jesus Cristo - arde onde as trevas precisam ser afugentadas, onde a vida se encontra ameaçada, onde há pessoas tratadas como coisas, onde a verdade se encontra distorcida, onde a alegria desapareceu, onde o ódio pisoteou o amor. “Onde houver trevas que eu leve a luz” (São Francisco de Assis).

 

Para rezar em grupo:
Sugestão de lucernário
Ambiente: Círio Pascal já aceso no inicio da celebração. Em frente ao círio, um recipiente com brasas e outro com incenso. Velas pequenas espalhadas pelo chão. Cada um deve ter uma vela pessoal, de modo que o local fique iluminado apenas pela luz das velas. Organizar a celebração em folhetos para todos.
  1. Após o sinal da cruz, o coordenador motiva os participantes a recordar as trevas pessoais e comunitárias que precisam ser iluminadas com a luz do Senhor.
  2. Canta-se um refrão que fale de luz enquanto se acendem as velas no círio: “Sim, eu quero que a luz de Deus...”; “Indo e vindo, trevas e luz...”
  3. Todos assentados, canta-se ou reza-se o Salmo 27 (26): “O Senhor é minha luz e salvação”
  4. Proclamação de um dos seguintes textos: Mt 5,14-16; Jo 1,1-14; 8,12
  5. Pausa para meditação
  6. Preces espontâneas. A cada prece, queima-se um pouco de incenso
Encerra-se a celebração rezando-se ou cantando o Salmo 91 (90) ou o Cântico de Simeão (Lc 2,29-32)

 

 

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