sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SENTIDOS DO CATEQUISTA


OS SEIS SENTIDOS DO CATEQUISTA
 
 

Aprendemos na escola quando ainda éramos pequenos que o ser humano tem cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Todos nós aprendemos um pouco mais grandinhos, pela cultura popular que existem pessoas que tem o sexto sentido, principalmente as mulheres.

        Pois bem, hoje vou apresentar os seis sentidos dos catequistas, o que não muda muito do que já conhecemos, mas digamos que será um novo olhar sobre aquilo que é importante para nós.

         Visão: Comecemos com a visão, enxergar é um dom de Deus, conseguir ver o sorriso das pessoas que amamos, as cores das coisas que nos cercam, a felicidade do mundo é de grande valor pra quem enxerga e mais ainda para quem não enxerga.
A grande essência da visão que eu proponho está exatamente naquilo que quase ninguém consegue ver. Enxergar com os olhos de Deus é o grande segredo para nós catequistas, conseguir ver o seu catequizando com olhos divinos lhe dará a chance de ver o que ele esconde, de ver o que ele quer te dizer, mas não consegue. Muitas vezes encontrei vários catequizandos que tinham medo, vergonha, dúvida e que somente com um olhar específico neles, consegui enxergar essas coisas. Cabe ao catequista ter esse olho divino pra enxergar o escondido, o oculto, assim como Jesus.
       Audição: Ouvir é sempre importante, diz o ditado popular que devemos falar menos e ouvir mais, por isso Deus nos deu dois ouvidos e uma boca.
A verdade é que aprendemos muito mais ouvindo do que falando, ouvir é uma atitude humilde, inteligente e prudente. Muitas vezes poderíamos economizar uma discussão se ouvíssemos mais. Muitas vezes é muito mais valioso você parar para ouvir o seu catequizando do que ficar falando o que pra ele, muitas vezes, não serve. Ouvir também é catequizar, ouvir é estar a serviço daquele que precisa de alguém para desabafar, colocar pra fora aquilo que o aflige, que atormenta e que corrompe. Quantas vezes nós não queríamos somente uma pessoa para ouvir os nossos problemas?


      Olfato: O cheiro é sempre indício de algo que aconteceu ou que está acontecendo. Quando você sente o cheiro de fumaça é porque há fogo, quando você sente cheiro de cigarro é porque alguém está fumando, quando você sente o cheiro da comida é porque é hora de comer. Dessa forma nós vamos identificando com o nosso olfato aquilo que é bom, aquilo que é ruim, enfim, o olfato sempre nos dá a percepção da realidade.
Diz um provérbio chinês que fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem colhe flores! Pois bem, o perfume do evangelho deve exalar dos nossos poros, da nossa vida, das nossas experiências, da nossa boca, do suor do dia-dia que a cruz nos faz transpirar. As pessoas devem saber, pelo nosso cheiro, que somos jardineiros do céu!
 
 
       Paladar: Ah, o paladar! Como é bom sentir o gosto das coisas, como é bom sentir o doce do chocolate, como é ruim o azedo do limão, enfim, como é bom sentir o gosto... Como é bom saber o gosto das pessoas, saber se elas são amargas, azedas, doces, ácidas ou sem gosto algum.
Qual o seu gosto? Você é aquele catequista sem graça, sem gosto, inçoso, sem importância, ou eu sou aquele catequista salgado demais, insuportável, que deixa a gente fazendo cara feia? Qual o gosto dos seus catequizandos, que gosto os agrada, que gosto ele querem provar? Você já conseguiu experimentar com seus catequizandos o gosto do Reino de Deus, o gosto do céu?
 
       Tato: O Tato está ligado ao maior órgão do corpo, a pele! E nunca conseguimos nos imaginar vivendo sem o tato. Talvez você conheça alguém que não enxergue, que não ouça, que não sinta cheiro, mas que não tenha tato é muito raro. Imagine você, não poder sentir o toque do beijo da sua amada, ou do seu amado. O carinho daquele que te ama, um abraço amigo, o arrepio do medo, a refrescância da água do chuveiro nos dias quentes, o calor do cobertor nos dias frios, tudo isso é muito gostoso e traz à tona a nossa sensibilidade.
E sensibilidade é algo que o catequista precisa ter. Muito além de formação, oração, perseverança, o catequista precisa ser sensível. Pois é a sensibilidade que faz com que você sinta no seu catequizando, a graça de Deus, o processo da conversão, a eficácia da oração, o medo de fazer uma pergunta, a dúvida de uma questão mal entendida, etc. O catequista precisa, pela sua sensibilidade, ter um olhar diferente, um toque diferente, um falar diferente, um sentir diferente. E mais, é pela sensibilidade que se entende os sacramentos, por que sacramento é sinal sensível da graça de Deus e é só por meio de uma sensibilidade, também humana, que se pode vivenciar os sacramentos.

  O sexto sentido: Chegamos enfim, no último sentido dos catequistas. Esse não é um sentido humano, é espiritual. Ou melhor, é o sentido que nos leva ao espiritual. O sexto sentido é a TRANSCENDÊNCIA. É o poder de nos elevarmos, de chegarmos a Deus, é o que nos faz distinguir dos outros seres da terra. O poder de sermos divinos, como imagem e semelhança de Deus. É a capacidade que temos de nos encontrarmos com Deus e assim, VER, OUVIR, SENTIR, CHEIRAR e PROVAR DEUS. Só é permitido ter esses outros sentidos humanos já colocados aqui nessa reflexão se pudermos transcender até Deus.
         Quando o padre diz na missa: “Corações ao alto!”, nós respondemos: “O nosso coração está em Deus!”, ou seja, estamos dizendo que estamos elevando nosso coração até o céu, até o divino, onde se encontra Deus.
        Transcender é preciso, o catequista que não transcende não consegue conjugar a inspiração do céu com a transpiração do dia-dia. E o grande motor, que nos faz transcender é a Fé! Dessa forma, somente pela fé é que conseguimos nos elevar, viver em graça, viver o céu aqui na terra e sermos sal, fermento e luz para os nossos catequizandos


 

 

Sem motivação, o catequista é nada!


     A catequese não é algo que podemos mensurar matematicamente.

    Não dá para dizer “este ano ela não deu resultados por causa disso, disso e disso”.

         A matemática do êxito do trabalho de um catequista está na medida exata da sua motivação. O coração do catequista é o melhor parâmetro de análise e resultados. A fórmula é simples: catequista desmotivado, catequese com problemas. Catequista motivado, catequese com resultados positivos.

Nem todos os catequistas são “preparadíssimos” ou “afinados” para esta missão com conteúdos, técnicas e dinâmicas das mais diversas. Mas motivação, que jamais pode faltar, não é algo que aprendemos em alguma formação, retiro ou em algum curso de especialização. Motivação está na essência e no encantamento por Jesus, algo que todo catequista precisa ter quando aceita o desafio da catequese.

         Não tem como falhar uma missão que tem nela um catequista motivado.

         Não tem como dar errado algo que um catequista faz com alegria.

         Não tem como não surtir efeito uma tarefa cujo catequista crê naquilo que faz.

Motivação é fundamental. Sem ela, nada anda as coisas não fluem como deveriam e os problemas se tornam fardos, barreiras intransponíveis.

         
 O documento de Aparecida pede, entre tantas coisas, espírito e impulso missionário, e diz: “Não podemos ser acomodados, omissos, negligentes. É hora de convertermo-nos do comodismo, apatia, sacramentalização e burocracia. A igreja precisa de uma comoção missionária, uma mexida forte”. Mas como fazer uma mexida forte, deixando o comodismo de lado, se o que existe é desânimo?

Não espere pelo padre. Não espere que o seu coordenador lhe dê a fórmula ou que algum “teólogo”, especialista nisso ou naquilo, lhe entregue de “mão beijada” a indicação do caminho exato que deve ser seguido. Não existem fórmulas mágicas para uma catequese ter êxito.

Lamentável, neste contexto, não é ver pais desinteressados ou jovens e crianças querendo ir embora antes do tempo dos encontros de catequese. Lamentável é enxergar um catequista sem motivação, que só reclama, lamenta, vive aborrecido, triste, sente-se incapaz e não consegue visualizar na sua missão uma luz para os outros.

"Sem motivação, o catequista é nada e a catequese torna-se nula."

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário