segunda-feira, 2 de abril de 2012

SEMANA SANTA 2012

COMO VIVER A SEMANA SANTA - A SEMANA DO AMOR MAIOR

Nesta Semana tudo celebra o Mistério da Salvação, “Ele tomou sobre si a nossas dores, Seu sangue derramou para nos resgatar das trevas e por Suas chagas fomos sarados”. (Isaías 53 O Servo sofredor). Quando celebramos a liturgia e de forma especial nesta semana A Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, não estamos  recordando, como num álbum de fotos ou num filme de gravações de memórias passadas. A espiritualidade das celebrações litúrgicas atualizam em nossa vida hoje o Mistério que estamos celebrando, ou seja, estamos vivendo e recebendo as graças eficazes do que estamos celebrando, rezando.  Por isso, celebrar a liturgia não é fazer uma simples memória, mas trazer para minha vida hoje, atualizar, tornar novo, Aquilo que nos trouxe Jesus Cristo, seus gestos, Palavras e principalmente o Amor que o levou a morrer por nós na cruz. (Cf. Jo 3,16) Quem garante tudo isso é o Espírito Santo e a intenção verdadeira da Igreja que celebra os Mistérios de Cristo por sucessão apostólica. Isso quer dizer, que recebemos de Cristo e dos apóstolos.

Sentido do Tríduo Pascal

O Tríduo Pascal é a maior celebração das comunidades cristãs. A Páscoa é o centro do ano litúrgico, fonte que alimenta a nossa vida de fé. Celebrar o Tríduo Pascal da paixão e ressurreição do Senhor é celebrar a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que o Cristo realizou quando, morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, renovou a vida.

Quando teve início o Tríduo Pascal?

No final do século IV, encontramos já organizado um tríduo pascal, que Santo Agostinho recomendava vivamente a seus fiéis. Formavam, em princípio, o tríduo: a sexta-feira, o sábado e o domingo. É no século VII que o tríduo se inicia com a “Ceia do Senhor” na tarde da quinta-feira, com o que fica ele constituído pela quinta-feira, pela sexta-feira e pelo sábado – aí incluída a vigília pascal. As três datas formam uma unidade: a celebração do mistério pascal.

O que celebramos na Quinta-feira Santa?

O Senhor celebrara com os seus a última ceia no contexto da páscoa judaica: a comemoração da passagem de Israel pelo Mar Vermelho. Nesse dia, Cristo inaugura à nova Páscoa, a da aliança nova e eterna, a de seu pão compartilhado e seu sangue derramado, a de seu amor levado ao extremo e do mandato do amor para nós, a de sua passagem pela morte à ressurreição, a Páscoa que devemos celebrar em sua comemoração. Eucaristia, sacerdócio, mandato do amor e nova Páscoa do Senhor são o conteúdo preciso da missa da Ceia do Senhor. O transporte das formas (hóstias) consagradas à urna para a comunhão da sexta-feira inicia-se no século XIII. O “monumento” (local físico) é elemento acidental e só encontra sentido em vinculação com o mistério celebrado: agradecimento ao amor de Cristo e oração-reflexão do mistério pascal. Nossa atitude: Lavapés- partir para gestos concretos de serviço evangélicos e amor fraterno; repartir o alimento com pessoas necessitadas, em memória da Ceia de Jesus, na Quinta Feira Santa, quando Ele fez na Eucaristia partilhando o pão.
           


O que celebramos na Sexta-feira Santa?

Como vem acontecendo há muito tempo, hoje não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor: o mistério que é celebrado é uma cruz dolorosa e sangrenta, mas ao mesmo tempo vitoriosa e resplandecente. Trata-se de morte, a de Cristo, real e tremenda; mas é passagem para uma vida ressuscitada e eterna. O amor de Deus, que é vida, terá mais poder do que o pecado do homem, que é morte. A celebração incorpora-nos à redenção de Cristo e a seu mistério de salvação universal: pela morte à vida. Nossa atitude: celebração da Morte de Cristo, partir para morrer em relação ao pecado e a tudo aquilo que signifique contravalor ou oposição ao Evangelho; observar o espírito penitencial da Sexta Feira Santa, fazendo o jejum e abstinência e evitando excessos no almoço deste dia, tudo como meio, jamais fim. Não se deve “jejuar por jejuar”. A nós compete abster-se desta ou aquela comida para que habituemos a abster-nos de tudo aquilo que seja contrário ao amor de Deus, ao amor do próximo e a nós mesmos

O que celebramos na Vigília Pascal?

Contamos com documentos do início do século III, que apresentam alguns elementos desta celebração, tais como: jejum, oração, eucaristia – e até batismo, com a bênção da “fonte batismal”. Vão-se acrescentando depois novos elementos: o canto do Exulte, que se vê documentado no século IV e a bênção do círio pascal, no século V. Pouco a pouco, foi-se enriquecendo esta última, que deve ser “a celebração das celebrações” para o cristão, e a que Santo Agostinho denominava “Mãe de todas as vigílias”. Assim ouvimos com alegria: “Cristo ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos”! Num duelo admirável a morte lutou contra a vida, e o Autor da vida se levanta triunfador da morte. Terminou o combate da luz com as trevas, combate histórico de Jesus com os fariseus e todas aquelas pessoas que não acolheram o Reino de Deus. Após as trevas brilhará o sol da Ressurreição!
       Nossa atitude: Vigília Pascal: celebração da ressurreição do Senhor, partir para levar a viver vida nova, vida de continua busca de conversão, como convém a todo filho de Deus Pai, a todo irmão de Deus Filho e a todo templo do Espírito Santo.
           
Domingo da Ressurreição - Cristo Ressuscitou Aleluia!!!

A ressurreição de Jesus é o ponto culminante da Semana Santa e do Ano Litúrgico. Conforme os relatos dos Evangelhos, a primeira pessoa a receber a comunicação de Cristo ressuscitado foi Maria Madalena, a discípula que mais o amava.
A fé cristã nos assegura que a meta da vida é a ressurreição. Porém os mistérios de Deus não cabem em nossa capacidade de compreender.
O apóstolo Paulo, ao explicar a ressurreição aos cristãos que tinham as mesmas dúvidas que nós temos hoje, menciona muitas vezes, em várias cartas, que Cristo transformará nosso corpo de morte e o fará semelhante ao seu corpo glorioso.
Mas é no capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios que ele escreve com mais clareza: diz que o ato de enterrar o corpo de uma pessoa é como plantar uma semente na terra. A semente apodrece para dar vida a uma planta da mesma natureza dela.
          Assim é o corpo ressuscitado, é novo, nasce do corpo que morreu, não é o mesmo, mas nasceu dele, como a planta nasce da semente.
É a mesma pessoa, libertada de todos os limites e sofrimentos da vida humana e transformada, pela graça de Deus, em pessoa plena, realizada, gloriosa e totalmente feliz.
Com a Ressurreição, Deus completa, por seu amor, aquilo que ainda nos faltava para sermos discípulos de Jesus e alcançarmos a santidade. Deus nos dá de presente aquilo que nós não fomos capazes conquistar por nossas próprias forças. E esse presente é a salvação, obtida para nós pela morte de Jesus. O que nos cabe na morte é aceitar o amor e deixar que ele nos transforme e nos faça santos como Deus deseja. Nossa atitude: Domingo da Ressurreição: Reavivar a esperança de que assim como Cristo venceu, também os seus adeptos, unidos a Ele, haverão de vencer todas as forças do mal presentes no mundo de hoje; fazer que a Páscoa seja todo dia.

Origem e espiritualidade da Semana Santa


A Semana Santa é um verdadeiro tempo de Kairós para Igreja. Tempo em que somos convidados a mergulhar nas profundezas do mistério pascal (paixão, morte e ressurreição de Jesus). Essa forma de celebrar o sofrimento e a vitória de Cristo sobre o mal remonta ao século IV d.C. No concílio de Nicéia (325 d.C.) o então imperador romano Constantino e o papa Silvestre I fizeram uma série de mudanças significativas em relação à liturgia e à consolidação da doutrina católica. Dentre essas mudanças houve o incentivo de se celebrar em Jerusalém o mistério pascal em três dias consecutivos, sendo que na Sexta-feira seria lembrada a morte do Senhor, no sábado o luto e no Domingo a sua ressurreição. Um decreto do papa ordenava que o domingo da ressurreição fosse o dia mais importante do ano. Com o passar do tempo os cristãos acharam por bem celebrar durante toda a semana. No domingo, antecedente à páscoa, celebrava-se, como fazemos até hoje, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, o que hoje chamamos de Domingo de Ramos, onde as pessoas, para lembrarem o povo que aclamava Jesus como rei, levam seus ramos como sinal de alegria e júbilo pela presença do messias-rei entre eles e que permanece até o final dos tempos entre nós (cf. Mt 28, 19-20). Dá para perceber que esse costume na Igreja vem de muito tempo e faz com que a paixão a morte e a ressurreição de Cristo permaneçam sempre atuais em nossas vidas. Uma Semana Santa vivida realmente como aconselha a mãe Igreja produz verdadeiramente muitos frutos para nós. Por isso vale à pena adentrarmos a espiritualidade deste tempo a fim de experenciarmos as graças que Deus tem para nós mediante o seu filho Jesus que nos salva.

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